A Montada Técnica - Por Que Sua
Montada Está Sendo Escapada
Conseguir a montada é um momento de satisfação imediata que o jiu-jitsu oferece com certa frequência para praticantes intermediários. O problema vem trinta segundos depois, quando o oponente executa o bump and roll ou o elbow-knee escape e de repente você está de costas na meia-guarda. Se esse cenário é familiar, o problema provavelmente não é que você não sabe as defesas para o bump and roll ou o elbow-knee. O problema é que a sua montada não está configurada de uma forma que torna esses escapes difíceis antes mesmo de começar.
A montada tem dois problemas estruturais que se manifestam juntos mas têm soluções diferentes: falta de base e falta de peso.
Base na montada não significa ficar com os pés no chão ou abrir os joelhos. Significa ter uma distribuição de apoio que resiste à tentativa de desequilíbrio sem que você precise usar esforço muscular ativo para compensar. Uma montada com boa base é aquela onde o oponente tenta fazer o bump, empurrar o seu quadril para cima, e encontra resistência imediata sem que você tenha que “fazer” nada: a geometria da posição já fornece a resistência.
Para criar essa base, os joelhos precisam estar o mais alto possível nas axilas do oponente, não na altura das costelas ou da barriga. Joelhos altos nas axilas criam dois efeitos: eles limitam o espaço disponível para o oponente criar o giro de quadril necessário para o elbow-knee escape, e eles colocam o seu centro de gravidade em uma posição que resiste ao bump porque qualquer pressão para cima tem que carregar não apenas o seu peso mas todo o seu peso em uma base compacta.
O segundo elemento, peso, é onde a maioria das pessoas entende a instrução de forma errada. “Fique pesado na montada” frequentemente é interpretado como “coloque todo seu peso no quadril do oponente”. Isso está parcialmente correto mas incompleto. O peso na montada precisa ser distribuído de forma que quando o oponente tenta criar espaço em qualquer direção, ele encontra peso naquela direção. Isso significa que o peso não é apenas para baixo: é para frente, para criar pressão no ombro e no pescoço do oponente, o que limita a capacidade dele de girar a cabeça e criar o ângulo necessário para o escape.
O chest to chest pressure, pressão peito a peito, é o mecanismo de peso mais eficaz na montada. Quando seu peito está colocado sobre o peito do oponente com pressão positiva, e seus braços estão configurados para manter ou aumentar essa pressão, o oponente precisa vencer não apenas a gravidade mas uma pressão ativa para criar o espaço necessário para qualquer escape. A maioria dos praticantes senta na montada com o tronco relativamente ereto, o que parece estável mas na verdade facilita escapes porque não há pressão para frente que o oponente precise superar.
O controle de braço na montada é a terceira variável crítica que determina quanto tempo você permanece na posição. Existem fundamentalmente dois regimes de controle de braço: controle high mount, onde os braços do oponente estão presos entre seus joelhos e o chão ao lado da cabeça dele, e controle de braço padrão, onde você está gerenciando a posição dos braços com suas próprias mãos. O high mount é a posição mais segura para manter a montada porque elimina a maior parte das defesas úteis, mas entrar nele exige subir ainda mais para cima do que a maioria dos praticantes faz intuitivamente.
O s-mount, ou montada com o pé do lado de um dos braços do oponente preso com seu joelho, cria uma configuração diferente que favorece ataques de armbar e triangle. O s-mount sacrifica alguma estabilidade de base em troca de um ângulo de ataque específico, e praticantes avançados transitam entre montada padrão e s-mount com fluidez dependendo de como o oponente está defendendo.
Uma das maiores limitações no desenvolvimento da montada é treinar a posição de forma muito passiva. Muitos praticantes chegam à montada e esperam que o oponente cometa um erro, quando na verdade a abordagem mais produtiva é usar a posição para criar ameaças ativas de finalização que forçam reações específicas. Quando o oponente está reagindo às suas ameaças, ele está abrindo espaço para você explorar. Quando você está apenas esperando, o oponente pode dedicar toda a atenção ao escape sem ser perturbado.
O mata leão a partir da montada, frequentemente tentado por praticantes intermediários como saída para quando a montada está ficando instável, tem uma taxa de sucesso baixa exatamente porque o momento em que a montada está instável é o momento de menor controle, não o momento ideal para tentar uma finalização de pescoço. Praticantes avançados buscam o mata leão quando têm controle sólido da posição, não quando estão perdendo o controle.
Para desenvolver a montada como posição de domínio real, invista em treino posicional começando da montada e com o objetivo explícito de finalizações, não de manutenção. A pressão de estar atacando muda como você usa a posição.