Como Estudar Jiu-Jitsu – Um Método Para Acelerar o Desenvolvimento

A maioria dos praticantes de jiu-jitsu aprende de uma forma que tem muito mais de acumulação do que de síntese. Vão ao treino, aprendem a técnica do dia, fazem os drills, sparring, vão para casa. Voltam na semana seguinte, aprendem outra técnica. Com o tempo, acumulam um repertório de técnicas que usam com frequências variadas no sparring. Esse método funciona, como a existência de praticantes muito bons que aprenderam assim demonstra. Mas há uma forma mais eficiente de aprender, que combina o tempo no tatame com estudo deliberado fora dele, e que produz desenvolvimento mais acelerado especialmente nos níveis intermediário e avançado.

O princípio central é distinguir entre exposição a técnicas e entendimento de princípios.

Exposição a técnicas é necessária mas insuficiente para desenvolvimento avançado. Você pode assistir a cem tutoriais de guarda De La Riva e acumular exposição a muitas variações de gripes, entradas e sequências. Mas se você não entende o princípio que torna a De La Riva funcional (controle da perna de dentro, ângulo de quadril que cria ameaça rotacional, relação entre a gripe de pé e o underhook) então cada nova variação que você encontra é um item novo para memorizar, em vez de uma aplicação óbvia de princípios que você já domina.

Praticantes que desenvolveram entendimento de princípios aprendem novas técnicas mais rápido porque reconhecem o esquema familiar por trás de cada nova variação. Quando veem pela primeira vez a tripod sweep, não estão memorizando um novo conjunto de passos: estão reconhecendo a aplicação do princípio de base tripé e desequilíbrio para frente que já conhecem de outros contextos. O esforço de aprendizado novo é mínimo porque o trabalho de entender o princípio já foi feito.

Como desenvolver entendimento de princípios? Através de análise ativa em vez de absorção passiva. Quando você aprende uma técnica nova, a pergunta mais valiosa não é “o que faço passo 1, passo 2, passo 3?” mas “por que isso funciona? Qual princípio de mecânica, de alavancagem, de peso ou de ângulo está sendo explorado? O que estaria diferente se o oponente mudasse X?”

Essa análise pode acontecer no tatame, mas acontece mais facilmente quando você tem tempo e distância do esforço físico do treino. Assistir ao próprio sparring em vídeo, por exemplo, ativa um tipo de análise que o calor do momento raramente permite. Você vê quando o timing estava errado, quando a posição de quadril não estava preparada para a varrida que tentou, quando o oponente estava te dando a entrada para uma finalização que você não pegou porque não estava lendo. Essa leitura retrospectiva é aprendizado de alta qualidade.

O estudo de material externo, vídeos de instrutores, análise de competições, documentários técnicos, tem valor quando feito de forma ativa. Assistir passivamente a um seminar em vídeo produz menos aprendizado do que assistir o mesmo conteúdo com pausa frequente para fazer perguntas: por que o instrutor está fazendo X agora? O que aconteceria se o oponente fizesse Y? Como isso se conecta com o que aprendi sobre Z?

A prática deliberada de drilling merece um lugar mais central no treino de praticantes intermediários e avançados do que frequentemente ocupa. Drilling diferente de sparring tem um papel específico: desenvolve a qualidade de execução de técnicas específicas através de repetição focada, sem a variabilidade do sparring que frequentemente impede o desenvolvimento de mecânica refinada. Um praticante que drilla a entrada para the triangle com atenção específica à posição do quadril, ao controle de ombro e ao ângulo de fechamento, vai desenvolver uma triangle mais refinada do que um praticante que tenta triangles em sparring mas nunca se dedica a isolar os componentes.

O drilling mais eficaz não é necessariamente o mais rápido. Drilling lento com atenção ao detalhe mecânico produz mais desenvolvimento de qualidade por repetição do que drilling rápido onde os detalhes se perdem no esforço de manter a velocidade.

Journaling técnico, manter um registro das técnicas estudadas, dos princípios identificados e das perguntas que surgiram no treino, é uma ferramenta que muitos praticantes subestimam. O ato de escrever força a articulação, e articular o que você aprendeu frequentemente revela o que você entendeu e o que apenas pareceu que entendeu. Praticantes que mantêm esse tipo de registro regularmente relatam que seu desenvolvimento se acelera porque eles chegam a cada treino com perguntas específicas baseadas na análise do treino anterior, em vez de apenas aparecer e ver o que acontece.

A pergunta que mais distingue praticantes que se desenvolvem rapidamente é: “por que isso não funcionou?” em vez de “quero que isso funcione mais”. A primeira pergunta leva a análise e ajuste. A segunda leva a mais tentativas do mesmo.

Estude o jogo que você quer ter. O tatame vai mostrar o que o estudo produziu.

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